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Pensamento X Sentimento X Ação


Publicado em 11 de abril de 2007

Agimos conforme sentimos, e sentimos conforme pensamos e acreditamos. Nosso comportamento está diretamente relacionado aos nossos conceitos, pensamentos e sentimentos.

Para mudarmos o nosso agir, temos que mudar nossos conceitos e pensamentos sobre o mundo, sobre os fatos, e sobre nós mesmos. Vendo os fatos, o mundo e nós mesmos de uma maneira mais positiva, certamente teremos atitudes mais positivas.

A força dos pensamentos às vésperas de uma decisão:

O Dínamo tinha feito um campeonato exemplar e chegava à decisão com o Spartacus com a vantagem de dois empates.

No 1º jogo, fora de casa, deu empate, graças a atuação do goleiro titular do Dínamo, que garantiu o resultado nos minutos finais.

A decisão, então, seria em casa e a conquista do título seria, também, o passaporte para a decisão do Mundial Interclube, com o Dallas, que era o campeão do outro continente.

Havia uma expectativa muito grande por parte de todos os torcedores, dirigentes e patrocinadores do Dínamo. Afinal, se fosse campeão, a equipe teria mais uma vez a oportunidade de decidir o Mundial, uma conquista que lhe era inédita. E o fato de decidir em casa, aumentava a euforia e o otimismo.

Foi mais ou menos, dentro deste clima que o goleiro reserva Tião recebeu a noticia que substituiria o titular, por motivo de contusão.

Tião não sabia bem por que, mas tremeu ao receber a notícia.

Estava sem jogar uma partida há 06 meses, apesar de vir muito bem os treinos. Para piorar, o goleiro titular havia sido a melhor figura em campo na 1ª partida, e isso aumentava sua responsabilidade. O jogo era em casa e a torcida, com certeza, compareceria em massa. E uma derrota poria fim ao sonho de ser campeão mundial.

O primeiro pensamento que lhe veio a cabeça foi: "E se eu tomar um frango?!".

Tião era excelente goleiro, mas o tempo afastado e as circunstâncias que envolviam a partida o deixavam bastante inseguro.

Tião precisava de ajuda, mas ninguém percebia isso, nem ele.

Quanto mais se aproximava o dia da partida, mais ele piorava. Já não conseguia nem dormir direito. Se pudesse, pediria para não jogar, mas não queria dar o braço a torcer, pois precisava de uma oportunidade, como essa, para se firmar como titular.

A cada dia as fantasias de fracasso aumentavam - "Se eu falhar vão me crucificar!"

"E se o jogo estiver empatado, e no finalzinho eu tomar um gol do meio da rua?!", pensava Tião, desesperado.

Mas o que Tião não sabia é que, aos poucos, esses pensamentos iam configurando sua atuação no dia da decisão.

Pena que não surgiu ninguém capaz de imaginar que, diante de todas aquelas circunstâncias, era possível que Tião "tremesse" e por isso ninguém fez nada.

Aliás, um sobrinho do Técnico do Dínamo, um estudante do 5º período do curso de psicologia, chegou a lhe alertar sim - "Seria bom fazer um trabalho psicológico com o Tião! ", ao que seu tio respondeu: "Já conversei com ele".

É chegado, então, o grande dia. O estádio estava totalmente lotado, muitas pessoas nem conseguiram entrar. Era uma verdadeira festa.

Logo ao entrar em campo, Tião se assusta ainda mais com todo aquele foguetório e toda aquela festa.

O jogo tem início e Tião sente que não está nos seus melhores dias.

No primeiro escanteio, sai mal do gol e quase a bola entra.

Enquanto o objetivo do goleiro adversário é guardar a sua meta e não deixar a bola entrar, o de Tião é não levar frango.

Até numa bola atrasada Tião se atrapalha. Não consegue coordenar bem seus movimentos. Sua performance, que antes era toda reflexa, é agora medida e calculada para não cometer erros, e é isso que lhe atrapalha.

Termina o 1º tempo, para alívio de Tião.

O 2º tempo se inicia e Tião "presente" que a qualquer momento pode acontecer o lance fatal.

Seu coração bate cada vez mais forte, sua mão está trêmula, já não consegue nem orientar sua equipe. Está mais concentrado nas conseqüências que sua falha pode gerar do que propriamente no jogo.

De repente, num chute despretensioso do adversário, Tião hesita, enquanto a bola se aproxima de sua meta. Não sabe se vai para esquerda ou para a direita, se espalma ou tenta encaixar, se tira com o pé ou se tenta um golpe de vista torcendo para a bola sair.

Tião não tem nem tempo de terminar sua "guerra mental", e salta num movimento totalmente descoordenado, como nunca havia conseguido antes, um movimento talvez mais difícil de executar da equipe propriamente o movimento correto. Tudo está fora de lugar, a posição do braço, das pernas e da cabeça.

Tião percebe a bola se aproximando, mas não consegue detê-la, parece que ela está viva, desviando de suas mãos.

Isso aconteceu quando faltavam apenas 2 minutos para o fim da partida.

O Dínamo bem que tentou empatar, mas já era tarde demais.

Final, Spartacus 1 x 0 Dínamo. Era o fim de mais um sonho para o Dínamo.

Para Tião a certeza: "Alguma coisa me dizia que isso ia acontecer comigo".



Transcrito do site www.treinandogoleiros.com.br





 


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