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Perfil da flexibilidade dos goleiros da equipe adulta da Associação Carlos Barbosa de Futsal (ACBF).

Lucas Bello de Oliveira
Publicado em 25 de junho de 2009

RESUMO

O objetivo do presente estudo foi o de determinar o perfil da flexibilidade dos goleiros da categoria adulta da ACBF. Participaram do estudo 3 atletas dos quais foram coletadas as dobras cutâneas, o peso corporal e a altura. Todos os atletas foram submetidos ao teste de flexibilidade de Wells e Dillon. A amostra apresentou resultado médio de 41,55 ± 4,41. Foi possível verificar que os atletas da categoria adulta têm uma boa flexibilidade, ficando acima dos padrões considerados excelente de acordo com a literatura. Com base nos resultados pode-se concluir que o perfil da flexibilidade dos atletas da categoria adulta da ACBF está totalmente de acordo com o resultado esperado para atletas de alto rendimento, que necessitam como ninguém que esta qualidade seja treinada de maneira extenuante.

Palavras Chave: Qualidade Física, Flexibilidade e Goleiros.



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1 INTRODUÇÃO



Na prática do futebol de salão (futsal) os atletas são divididos entre aqueles que atuam na linha e os goleiros, formando assim um diferencial para estabelecimento de uma linguagem específica para o desporto (FERREIRA, 2001). O autor relata que as técnicas individuais empregadas durante o jogo são divididas em: técnicas individuais de linha, que seria passe, recepção, condução, drible, chute e a marcação, finta, domínio e controle; e de goleiro como a empunhadura, defesa alta, defesa baixa, arremesso e saída de gol, mais as dos outros atletas, uma vez que o goleiro hoje deve também trabalhar com os pés, tornando-se, quando fora da área, mais um jogador de linha.

Segundo Apolo (2004) em um passado muito recente, à preparação física no futsal era considerada um fator de menor importância, porém, com as mudanças nas regras e o aumento na dinâmica do esporte, ou seja, jogadores universais, com todas as características de movimentação, houve a necessidade de aumentar os níveis de condicionamento físico, e de se colocar nas equipes, a figura do preparador físico.

Em função de todo este processo evolutivo, para o futsal, o Condicionamento Físico passou a ser um conjunto de atributos que os jogadores precisam alcançar, relacionados à capacidade de desempenhar atividades físicas, técnicas e táticas especiais. É também conhecida como Aptidão Física (HOWLEY e FRANKS, 2000).

De acordo com Bello (1998), as posições ocupadas em quadra são apenas representações teóricas, pois o rodízio constante, devido o futsal moderno, obriga a passagem em todos as funções na quadra, representando assim um perfil físico semelhante entre as posições, porém coube a esta análise formatar um perfil característico das posição o qual relacionando se há diferenças de perfil com base em testes de força, flexibilidade, resistência e precisão entre os jogadores das posições no futsal.

Toda equipe começa sempre por um bom goleiro. Segundo Mutti (2003) a posição0 do goleiro é a mais importante no futsal, pois é a única que exige que o atleta se0ja realmente um especialista. Com o futsal moderno, é preciso também que o goleiro tenha múltiplas funções, para que em situações adversas ele possa s0er chamado sem receio pelos seus companheiros de equipe (MUTTI, 2003).

Para Balzano (2007) o goleiro é talvez o jogador mais importante da equipe, pelo fato de jogar de frente para o adversário, deve coordenar sua equipe durante o jogo, sendo também, muito importante nos movimentos táticos de sua equipe, organizando assim, a saída de bola e outras jogadas.

De acordo com Thiengo, Vitório e Ferreira (2006) o sucesso das equipes, em grande parte, deve-se a atuação dos goleiros. Se forem bem treinados, visando suas qualidades físicas mais importantes, sem dúvida terão uma grande evolução técnica, tendo assim, uma parcela de culpa bastante grande nos resultados de sua equipe.

Para um goleiro ter resultados é necessário além de treinar outras valências físicas o treinamento da flexibilidade. Deve-se então buscar a maximização desta valência, tanto na forma estática quanto dinâmica, pois as defesas como a chamada de "X" e as defesas realizadas em bolas baixas, necessitam de uma boa amplitude de movimento. Não treinadas podem contribuir para ocorrência de estiramento excessivo da musculatura e outras lesões no aparelho locomotor (THIENGO, VITÓRIO e FERREIRA, 2006).

Para Dantas (2003) o preparador físico deve estar familiarizado com o desporto com o qual vai trabalhar e ser um conhecedor das qualidades físicas mais importantes para a obtenção de altas performances nesta modalidade.

Após a identificação das qualidades o próximo passo será a aplicação dos testes para que sejam mensuradas as valências físicas, desse modo os responsáveis pelo treinamento terão condições de avaliar as condições iniciais e após programar a preparação física geral e específica (TUBINO E MOREIRA, 2003).

Segundo Dantas (2003) a flexibilidade é a qualidade física utilizada pelo maior número de desportos. Ela pode ser descrita como a qualidade física responsável pelos movimentos voluntários que exijam uma amplitude máxima de uma articulação ou um conjunto delas.

Já Weineck (2003) aborda a flexibilidade como a característica de um atleta realizar movimentos de amplitudes altas com ou sem força externa, sendo também uma qualidade física relativamente autônoma no desempenho esportivo.

Com avanços da atividade física, desde a parte estética até mesmo o objetivo da vida saudável, a flexibilidade vem sendo uma qualidade física de grande valia, sendo de grande importância a sua prática em academias de ginástica (VOIGT, 2002).

Podemos dividir a flexibilidade em quatro tipos: Balística, estática, dinâmica e a controlada. Assim podemos verificar que a dinâmica, devido ao pequeno lapso de tempo em que é mantida a amplitude máxima, sendo usada em grande variedade na prática desportiva (DANTAS, 2003).

Para Dantas (2003) um atleta de Futebol com um mal treinamento da flexibilidade coxo-femoral é um candidato certo a lesões músculo-articulares, sendo assim, um trabalho de flexionamento sobre a articulação é extremamente importante.

Fonseca (2001) considera a flexibilidade uma qualidade essencial que permite ao goleiro a maior amplitude possível de um movimento articular. Por isso que o treinamento e a avaliação periódica dessa qualidade são de suma importância.

Hernandes Junior (2002) explica que a flexibilidade é uma das valências físicas de maior importância para o desempenho atlético, porem nos treinamentos nem sempre existe a quantidade necessária de treino para que elas sejam realmente trabalhadas e aprimoradas.

Dentro de todas essas explicações não podemos deixar de lembrar que, para que seja feito o treinamento da qualidade física flexibilidade é necessário que o teste adequado seja realizado.

Para Pitanga (2005) a avaliação da flexibilidade é de suma importância, tendo em vista que ela é um importante componente da aptidão física. Para essa avaliação existem métodos diretos e indiretos. O autor cita como exemplo a utilização dos goniômetros e dos flexômetros. Para Dantas (2003) pode ser utilizado também o flexiteste de Pavel e Gil.

Com base nestas premissas, e considerando que são muito poucos os estudos que apresentam evidências científicas a respeito da condição física de jogadores de futsal, é que surgiu o problema de estudo, que visa determinar o perfil da flexibilidade dos goleiros da equipe adulta da Associação Carlos Barbosa de Futsal (ACBF), da cidade de Carlos Barbosa, RS. Espera-se que os resultados deste estudo possam servir de base para a melhor compreensão da importância da flexibilidade dos goleiros desta equipe, bem como servir de subsídio para que novas investigações venham a ser realizadas com propósitos similares.



2 METODOLOGIA

O trabalho foi realizado da cidade de Carlos Barbosa, RS, com os goleiros da equipe adulta da Associação Carlos Barbosa de futsal (ACBF). Participaram do estudo três atletas com idade de 35, 27 e 20 anos, no qual realizaram o teste por voluntariedade, após terem recebido todas as informações referentes aos procedimentos.

O teste da qualidade física selecionada e executada pelos goleiros da equipe foi de acordo com o protocolo proposto por Pitanga (2005). O teste de flexibilidade foi realizado através do teste de sentar e alcançar de Wells e Dillon.

A avaliação foi realizada pelo investigador, técnico das categorias de base no momento, com o auxilio do preparador físico das categorias de base da ACBF.

Os dados foram tabulados em uma planilha Excel da Microsoft 2003. Foi utilizada a estatística descritiva para analisar os dados que foram expressos em termos de médias e desvio padrão.



3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

A preparação física da equipe adulta é realizada intensamente no período de fevereiro a março, chamada pré-temporada e durante uma vez por semana durante o restante da temporada, utilizando-se os demais dias para o treinamento técnico e tático.

Podemos analisar através da tabela abaixo que os goleiros da Associação Carlos Barbosa de Futsal possuem um ótimo grau de flexibilidade.

Para avaliar a flexibilidade foi utilizado o teste de sentar e alcançar de Wells e Dillon. Embora os autores defendam que o teste é adequado para expressar um grau geral de flexibilidade.

Tabela. Medidas de flexibilidade dos goleiros da equipe adulta da ACBF, 2009.

Média Maior Menor Desv. Padrão

Flexibilidade 41,55

45

36,575

4,41



Dantas (2003) e Achour Jr. (1999) fazem sugestões do uso de testes mais específicos de forma a medir a flexibilidade nas articulações que são mais solicitadas em cada uma das modalidades esportivas, tais como o Flexi-Teste e o uso de flexímetros e goniômetros. No teste de sentar e alcançar estima-se que os resultados obtidos pelos goleiros são considerados bastante alto levando em conta que na tabela proposta por Pitanga (2005) o máximo que necessita ser adquirido por um homem com trinta e cinco anos ou menos é de quarenta e três centímetros.



4 CONCLUSÃO

Mesmo que as informações encontradas a respeito do futsal na literatura nacional terem sido de certa forma insuficiente para satisfazer as comparações que poderiam ser realizadas, e considerando-se que cada vez mais cresce o número de praticantes de futsal tanto no Brasil, como em outros países, salienta-se a importância das contribuições que este estudo sobre o perfil da flexibilidade dos goleiros da categoria adulta da ACBF trás no bojo de seu resultado, permitindo as seguintes conclusões com relação aos atletas:

- A flexibilidade média dos goleiros está muito acima dos resultados descritos na literatura, levando em conta que foram comparados com pessoas comuns dentro de suas limitações da idade, que estão também dentro da média dos goleiros analisados.



REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

ACHOUR, Abdallah Jr. Bases para exercícios de Alongamento. (2ª Ed.) São Paulo, SP.: Phorte Editora, 1999.

APOLO, Alexandre. Futsal: Metodologia e Didática na Aprendizagem. Liberdade, SP: Editora Phorte, 2004.

BALZANO, Otávio N. Metodologia dos jogos condicionados para o futsal e educação física escolar. (1ª Ed.). Sem Editora. 2007.

BELLO Nicolino. Jr. Ciência do Esporte Aplicada ao Futsal. Rio de Janeiro, RJ.: Editora Sprint, 1998.

DANTAS, Estélio H. M. A Prática da Preparação Física. (5ª Ed.) Rio de Janeiro, RJ.: Editora Shape, 2003.

FERREIRA, Ricardo L. Futsal e a Iniciação. (5ª Ed.). Rio de Janeiro, RJ.: Editora Sprint, 2001.

HERNANDES JUNIOR, Benito D. O. Treinamento Desportivo. (2ªEd.). Rio de Janeiro. Editora Sprint, 2002.

HOWLEY, Eduardo T. e FRANKS, B. D. Manual do Instrutor de Condicionamento Físico para Saúde. (3ª Ed.) Porto Alegre, RS.: Editora Artmed, 2000.

MUTTI, Daniel. Futsal: da iniciação ao alto nível. (2º Ed.) São Paulo, SP.: Editora Phorte, 2003

PITANGA, Francisco J. G. Testes, Medidas e Avaliação em Educação Física e Esportes. (4ª Ed.). São Paulo, SP.: Editora Phorte, 2005.

TUBINO, Manoel J.G.; MOREIRA, Sérgio B. Metodologia Científica do Treinamento Desportivo. (13ª Ed.) Rio de Janeiro, RJ.: Editora Shape, 2003

VOIGT, Lú. A prática da flexibilidade. (1ª Ed.). Rio de Janeiro. Editora Sprint, 2002.

WEINECK, Jürgen. Treinamento Ideal: instruções técnicas sobre o desempenho fisiológico, incluindo considerações específicas de treinamento infantil e juvenil. (9ª Ed.). São Paulo: Editora Manole, 2003.

THIENGO, Carlos R.; VITÓRIO, Ricardo.; FERREIRA, Lílian A. http://www.efdeportes.com/ Revista Digital - Buenos Aires - Ano 11 - N° 100 – Setembro, 2006.









 


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