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Dificuldades encontradas por indivíduos obesos para realização das aulas de futsal e dos professores para ministrá-las: um estudo de caso-

DAMASCENO, Gleison José. Graduando de Educação Física
Publicado em 01 de agosto de 2007

-INTRODUÇÃO-



O futsal, esporte que surgiu da fusão entre o futebol de salão e o futebol cinco, isso no final da década de 80 do século XX (SANTANA, 2002a), desenvolveu-se substancialmente nos últimos dez, doze anos. (SANTANA, 2005).

Este desenvolvimento se deve, de acordo com Costa (2003), ao fato de que o desporto futsal vem constantemente passando por transformações nas suas regras tornando-se cada vez mais atraente e competitivo, sendo uma das atividades mais praticadas no Brasil ganhando força em seu contexto geral.

Esta pratica é realizada tanto por crianças, adolescentes, jovens e adultos de ambos os sexos, com maior público masculino.

Se tratando de crianças, Costa (2005) diz que, quando as mesmas se matriculam em uma escolinha para praticar o futsal, na maior parte das vezes, procuram encontrar uma satisfação própria na prática do esporte.

Neste contexto, as crianças que procuram este desporto, encontra-se vários perfis, como altos e baixos, brancos e negros, gordos e magros tendo então o desporto, pouca limitação para sua prática.

Quando os professores de escolinhas se deparam com crianças obesas, que tem significado, segundo Caro Salvo (2006), como a condição na qual apenas a quantidade de gordura corporal ultrapassa os limites desejados, o professor passa a exercer um papel um pouco diferente em quadra, pois os alunos com estas características, muitas vezes não conseguem acompanhar as atividades propostas pelo professor por não conseguir ter um domínio de seu corpo e consequentemente, não consegue acompanhar os alunos que estão no peso considerado adequado.

Neste intuito, pretende-se analisar, através de observações de aulas de futsal em uma escolinha, as dificuldades encontradas por indivíduos obesos para a realização das aulas de futsal e dos professores para ministra-las.



Objetivo: Analisar as dificuldades encontradas por indivíduos obesos para realização das aulas de futsal e os professores que as ministra.



-REVISÃO DE LITERATURA-



-OBESIDADE-



A obesidade, de acordo com Caro Salve (2006), talvez seja a enfermidade mais antiga que se conhece. Pinturas e estátuas de pedras já apresentavam mulheres obesas. A mesma já foi encontrada em múmias egípcia, pintura, porcelanas chinesas, esculturas gregas e romanas e em vasos dos Maias e Incas nas Américas (Pepotto, 1998).

Esta enfermidade é atualmente um sério e crescente problema de saúde nas sociedades modernas. Nos Estados Unidos da América, estima-se que 33% dos homens e 36% das mulheres têm um índice de massa corporal (IMC) acima de 26 kg/m², o que já é considerado acima do normal e 15% apresentam índices acima dos 30 kg/m² o que é considerado estado de obesidade. No Brasil, cerca de 32% da população adulta já apresentava índices de sobrepeso acima de 26 kg/m² e 8% da mesma população era considerada obesa. (Prati e Petroski, 2001).

Nota-se que a obesidade é algo considerado como doença epidêmica, pois atinge a população mundial como a doença mal-do-século, sendo de acordo com Ciabatti e cols (2005), a Organização Mundial de Saúde (OMS), reconheceu a obesidade como doença universal.

Nahás (2001) apud Caro Salve (2006), diz que em uma pesquisa feita pelo IBGE, 1 em cada 10 adulto é considerado obeso e a tendência é aumentar esta proporção.

Barra et al (2000) apud Caro Salve (2006), segundo os dados do IBGE, no Brasil ainda referente aos anos de 1996 e 1997, o percentual de obesos avaliados pelo IMC, aumentou de 8 para quase 10 na população adulta, representando quase dois milhões de novos obesos.

Estes dados tanto no Brasil como no mundo de forma geral, principalmente no EUA, são preocupantes, pois, as conseqüências que a mesma pode trazer são graves e ao mesmo tempo mostra como a população está se comportando ou zelando sua própria saúde e vida.

Mas, o que seria então a obesidade?

Pode-se defini-la como um distúrbio do metabolismo energético, cuja conseqüência é o armazenamento excessivo de energia sob a forma de triglicerídeos no tecido adiposo. Podemos defini-la segundo Guedes e Guedes (1998), ao aumento na quantidade de gordura em relação ao peso corporal; Garcia e cols (2003) a define como doença da nova era; Para Sigulem e cols (s/d), pode ser conceituada de maneira simplificada, como uma condição de acúmulo anormal ou excessivo de gordura no organismo, levando a um comprometimento da saúde.

Quando o nível de gordura se insta-la em grande proporção, podemos classificar o indivíduo como obeso. De acordo com Nahás (1999) apud Caro Salve (2006), podemos considerar obeso o indivíduo que exceder em 20% do seu peso ideal ou mais especificamente nos homens acima de 25% e nas mulheres acima de 30%.

Segundo Mcardle et al (1990) apud Caro Salve (2006), os homens com mais de 20% do peso corporal de gordura e as mulheres com mais de 30%.



-CAUSAS E CONSEQUENCIAS DA OBESIDADE-



Francischi e cols (2001) relatam que a obesidade é causada por duas principais variáveis; alimentação e falta de prática de atividade física.

Melby e Hill (1999) apud Francischi e cols (2001) destacam que, se a ingesta de energia for superior a utilizada, a obesidade pode se instalar mesmo quando a ingesta de gordura é pequena.

Souza e cols (2000) relatam que vários fatores influenciam a obesidade, alguns de origem genética e outros de origem alimentar, atividade física, além dos resultantes dos aspectos socioeconômicos, culturais e comportamentais. Um deles refere-se a indivíduos que comem além do que seu organismo necessita, onde a ingesta passa a ser maior que o gasto energético e ocorre o acúmulo de tecido adiposo.

Ciabattari e cols (2005), indivíduos obesos correm maior risco de doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes mellitus tipo 2, dislipidemia, osteoartrite, apneia do sono, infertilidade e certos tipos de neoplasias.

Pollock & Wilmore (1993), podem ser desencadeados problemas como distúrbios cardiovasculares, hipertensão arterial, diabetes, doenças na vesícula biliar, disfunções mórbidas e até mesmo a morte.

Segundo Oliveira e cols (2004), a maneira mais objetiva de classificar a obesidade é o Índice de Massa Corporal (IMC), considerando normal entre 19 a 24,9 kg/m². Pessoas com IMC de 25 a 30 são consideradas acima do peso (sobrepeso) enquanto aquela entre 30 e 40 já são classificadas como obesas e pessoas acima de 40 são portadora de obesidade mórbida, doença que ameaça a vida, reduz a qualidade de vida e a auto-estima.



-FUTSAL E A CRIANÇAS-



De acordo com Costa (2005), o futsal também é chamado como “a modalidade da bola pesada” e a cada dia vem se expandindo, sendo um dos esportes mais praticados no Brasil.

Existe um grande número de crianças que o procuram. De acordo com Costa (2005), os motivos mais freqüentes que levam crianças e adolescentes a se interessar pelo futsal são: divertir-se, (brincar), melhorar e aprender os elementos da técnica, estar com amigos e arranjar novos amigos, intensificar emoções, ganhar ou ter êxito, ficar mais forte, ser respeitado.



-METODOLOGIA-

População

A pesquisa analisou apenas um indivíduo do sexo masculino com idade de 11 anos, que pratica futsal, com estatura de 1,51 e peso de 79 kg.



Materiais e procedimentos para coleta de dados.

Para avaliar seu percentual de gordura, através do IMC (Índice de massa corporal), que é avaliada dividindo o peso pela altura ao quadrado.

No próprio local das aulas de futsal, foi mensurado a altura e peso do indivíduo.



Resultados e discussões

Foi encontrado o valor % gordura (IMC) de 35 para o indivíduo avaliado, que fica classificado como obesidade moderada.

Esta faixa de classificação torna o trabalho do professor até um pouco desmotivante, pois em grande parte da aula, o aluno investigado não consegue executar as jogadas corretamente e muitas vezes nem alcança a bola quando esta é enviada para o mesmo ou quando solicitado que execute um passe ou qualquer outro fundamento, o mesmo apresenta extrema dificuldade para realizá-lo.

Costa (2003) classifica as crianças em várias categorias e, as que têm faixa etária entre 11 e 12 anos, são classificadas como categoria Mirim e nesta fase, os alunos já começam a cumprir papeis dentro da quadra, como a cobertura, marcação, deslocamento, passes mais complexos, movimentações com e sem a bola sempre visando impedir que o adversário jogue.

Isto significa que, se o aluno tem muitas dificuldades para executar as jogadas simples e em sua faixa etária o trabalho se torna um pouco mais complexo, onde o mesmo ficará limitado e desmotivado para praticar as aulas de futsal.

Segundo Costa (2005), na aprendizagem, aprenderá mais rápido a criança que tiver um número maior de experiências motoras, uma melhor formação multilateral e um alto nível de qualidades físicas básicas. Para isso, torna-se importante todo um trabalho visando a um completo desenvolvimento das habilidades motoras de base, assim como da capacidade motora da criança, proporcionando-lhe um domínio corporal através de atividades orientadas de forma progressiva.

Não se trata em estar aprendendo apenas rápido e sim em pelo menos o básico e este base, com o aluno acima de seu peso acaba por impedi-lo ou de limitá-lo referente à aprendizagem.

A criança mesmo não tendo excelentes habilidades motoras e psicomotoras, deve procurar fazer com que elas se equilibrem. Ela necessita, em especial, velocidade de reação, muita flexibilidade, agilidade, força explosiva, etc.

Souza e cols (2000) reforçam ainda que, o excesso de gordura corporal acarreta grande desconforto na vida diária, provocando até mesmo, rejeição no aspecto social, uma vez que a sociedade não está orientada e preparada para as necessidades do indivíduo obeso, sem relatar o risco que os professores assumem diante destes alunos, que tem maior probabilidade de sofrerem algum tipo de doença podendo leva-los a morte instantaneamente, pois Caro Salve (2006), os períodos críticos de ganho de peso corporal, são eles: hormonal (adolescência, gravidez e menopausa), estresse e ansiedade (estresse prolongado, morte de um ente querido ou perda de divórcio, separação); mudanças no estilo de vida (aposentadoria, fim de carreira esportiva, meia-idade, ocasiões festivas) e fisiológicas e com isto, vem suas conseqüências como insuficiência cardíaca, diabetes, arteriosclerose, hipertensão cardíaca e aumento da mortalidade.



-CONCLUSÃO-



Conclui-se que, com o estudo realizado, o indivíduo pesquisado não consegue realizar as atividades propostas pelo professor de características de sua categoria (mirim), pois tendo obesidade moderada, as dificuldades encontradas são várias não desenvolvendo as valências físicas e motoras que o mesmo necessita para realização das aulas de futsal limitando seu corpo.



-REFERENCIA BIBLIOGRAFICA-



CARO SALVE, Mariângela Gagliardi. Obesidade e peso corporal: riscos e conseqüências. IN: Movimento e percepção, Vol. 6, nº 8, jan/jun. Espírito Santo: 2006.



CIABATTARI, Olímpia; DAL PAI, Alexandre; DAL PAI, Vitalino. Efeito da natação associado a diferentes dietas sobre o músculo tibial anterior do rato: estudo morfológico e histoquímico. IN: Revista Brás. Méd. Esporte, Vol. 11, nº 2-mar/abr, São Paulo: 2005.



COSTA, Claiton Frazzon. Futsal: aprenda a ensinar. Editora Visual Books, Florianópolis: SC-2003.



_______Futsal: Vamos brincar? Volume I, Técnica e Iniciação. Florianópolis: SC- 2005.



GARCIA, Rui Proença; LEMOS, Kátia Moreira. A estética como um valor na educação física. IN: Revista Paul. de Educação Física. Jan/jun. São Paulo: 2003.



OLIVEIRA, Verenice Martins de; LINARDI, Rosa Cardelino; AZEVEDO, Alexandre Pinto de. Cirurgia bariatrica-aspectos psicológicos e psiquiátricos. IN: Revista Psiq. Clin. 199-201 São Paulo: 2004.



PRATI, Sérgio Roberto Adriano; PETROSKI, Edio Luiz. Atividade física em adolescentes obesos. IN: Revista de Educação Física/ UEM, Vol. 12, nº 1, p. 59-67, Maringá: 2001.



POLLOCK, Michael L; WILMORE, Jack H. Exercícios na saúde e na doença: avaliação e prescrição para prevenção e reabilitação. 2ª edição. Editora Medsi, Médica e Científica Ltda. Rio de Janeiro: 1993.



SOUZA, Celso; MIAZAKI, Roberto Macoto et al. Perfil antropométrico e funcional de sujeitos praticantes de caminhada, da comunidade da zona sete, da cidade de Maringá, PR. IN: Revista da Educação Física/UEM - Vol.11, nº 1, p. 33-41, Maringá: 2000.



SIGULEM, Dirce Maria e cols. Obesidade na infância e na adolescência. IN: Compacta Nutrição. UNESP-EPM. (S/D). São Paulo.



TORRES, Mônica; SILVA, Vernon Furtado. Percentual de gordura: estudo comparativo de métodos para predição do percentual de gordura corporal-uma abordagem do método de Dotson & Davis (1991). IN: Revista Fitness & Performance, Vol.2, nº 1. p. 41-48. Rio de Janeiro: 2003.



 


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