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A Influência da mídia na análise e evolução do jogo de futsal

Marco Bruno - treinador e professor UFRJ
Publicado em 10 de junho de 2006

Os esportistas de pijamas são os principais privilegiados dos

dias atuais. Em casa, acomodado o dia inteiro em sua poltrona ou até na

cama, o aficionado por esportes, tem a sua disposição, as mais variadas

modalidades. Transmissões em canais abertos ou nos demais, oferecem de tudo:

Basquetebol, Voleibol, Natação, Automobilismo ( Fórmulas 1, Indy, Ford ,

Três, Truck , etc... ), Tênis, Bilhar, Boliche,Vale-tudo e por aí vai,basta

apertar o controle remoto, é uma festa!

A garotada sabe tudo e tem verdadeiros ídolos na NBA por exemplo.

É normal ver uma partida de Handebol numa rede estrangeira, ou um jogo de

Voleibol masculino ou feminino, em emissoras do Brasil e exterior.

Para falar especificamente de Futebol ,o chamado velho esporte

bretão, pode ser visto, se o fanático quiser, vinte e quatro horas por dia.

Para infelicidade das mulheres ( existem muitas que detestam futebol.Voce

sabia? ) tem futebol na tv o dia inteiro, a semana toda. Campeonatos espanhol,

italiano, inglês, alemão, holandês,argentino, brasileiro da primeira, segundona,Copas Uefa, Toyota, do Brasil, etc e etc e tal.

Aqui, começamos a entrar no nosso assunto. Ao contrário do futsal,

no futebol globalizado de hoje, está fácil demais, se aprofundar no conhecimento

dos jogadores. Não só conhecendo, mas principalmente, estabelecendo uma

comparação entre eles e consequentemente, uma fixação do valor de cada um

, no mercado de negócios.

"Puxa, se o Tevez veio para o Corinthians por dezoito milhões

de dólares, por quanto o Santos vai vender o Robinho?" "Pô, o zagueiro

central reserva do Cruzeiro, é muito melhor do que o titular do Grêmio"."Com

a bola que o Cicinho tá jogando, ele tem que ser convocado pelo Parreira".

Todos; treinadores,dirigentes,empresários e torcedores em geral,

tem na mídia a sua maior aliada, no trabalho de observação dos atletas e

profissionais que a utilizam para demonstração de seus trabalhos. E não

é só a televisão não. Jornais que estampam manchete de primeira página,

dizendo que o time titular do Flamengo, "estraçalhou"os reservas no coletivo.

Emissoras de rádio AM e FM, que contam até a cor da cueca do Romário. Aos

domingos a noite, corremos sério risco de ter uma "congestão futebolística",

é mesa redonda em quase todos os canais.

Entre os jornalistas e profissionais da mídia esportiva em

geral (existem muitos ex-jogadores,ex-árbitros e ex-treinadores,que não

são jornalistas mas atuam como se fossem ) acontece algo interessante.

Quase todos clamam por renovação, sobretudo no quadro de dirigentes de clubes.Realmente a grande maioria dos integrantes da classe dos chamados "cartolas"é brincadeira, todavia a turma da imprensa, com raras exceções, também necessita de urgente reformulação.

No futsal a estória é a seguinte: A cobertura da mídia, é infinitamente menor do que a do futebol profissional, possui entretanto a mesma ignorância no conhecimento do jogo,aliás os profissionais de imprensa, que cobrem o futsal de forma geral, são até piores se comparados com os do futebol e outros esportes. É claro que existem exceções,como por exemplo o Alexandre que comenta os jogos dos campeonatos paulista (pela rede ESPN), o Zé Luis em Sampa, o Paiva no Rio, Silvio Carlos no Ceará. Os do canal Sportv (Marcelo Rodrigues,Chico Lins e o Paulinho ) são ótimos, mas poderiam avançar mais um pouco no espaço que lhes é dado pela emissora .Isto é claro, na nossa opinião.

Contudo o ponto essencial que gostaríamos de abordar é o cuidado que sobretudo os treinadores de futsal tem que tomar com os lobistas,corneteiros e procuradores de jogadores. Com a falta de exposição na mídia, fica muito

difícil resistir a um "argumento" de um representante desta turma indicando

jogadores.A coisa funciona mais ou menos assim: O lobista, que pode ser

um dirigente ou até um jogador do próprio clube, chega para o supervisor

ou até mesmo diretamente para o treinador e dispara: "Conheço um ala, que

joga igual ao Falcão e está disponível, posso trazer?". Ou então, "Aquele

ala, que você escala em todas as partidas, não joga nada, eu tenho um muito

melhor". "Se lembra daquele pivô, que foi artilheiro do campeonato pernambucano

a dez anos atrás? Tá de bobeira, se vier, vai render muito mais que o nosso.Pelo

menos gols ele sabe fazer".

São pérolas populares, que em alguns pouquíssimos casos, podem até estar certas. Mas como saber? O jogo de futsal, sobretudo em alto nível, é repleto de detalhes técnicos e riquíssimo em alternativas táticas.Inserir um atleta devidamente preparado, num sistema de jogo de uma equipe e por conseguinte lançá-lo no tabuleiro estratégico das partidas, não é nada fácil.Principalmente porque não dispomos da mídia , para auxiliar-nos.

Por isto, treinadores, supervisores,coordenadores e profissionais do futsal em geral: PARABÉNS!

 


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