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A importância do treinamento das capacidades coordenativas e da tomada de decisão no Futsal

Prof. Fernando Ferretti - Malwee Futsal / SC
Publicado em 15 de novembro de 2006

Muito se têm discutido, ultimamente acerca dos diferentes métodos de ensino do Futsal, nas categorias iniciantes do desporto.

O analítico, em que a soma das partes resultaria no todo, ou seja, treinamos todos os tipos de fundamentos e o ajuntamento de tudo isso formaria um atleta pronto para jogar. É aquela repetição enfadonha de gestos técnicos, onde quase sempre não está presente à figura do adversário, do confronto, característica principal e determinante do Futsal. O outro método é o global em que prevalece o jogo como ele é, na essência. Coloca-se a criança para jogar a espera-se que vá se desenvolvendo a medida que problemas representados pelo enfrentamento, prepare o atleta para jogar.Por último, os teóricos falam em método global que é a soma dos dois primeiros em que a repetição dos gestos técnicos somada a prática do jogo seriam bastantes para preparar nosso atleta.

Há que se fazer algumas considerações em adição ao que se teoriza acima, e elas são duas:



1) Treinamento das capacidades coordenativas que são:



Capacidades de Direção e Controle e exemplos:



- Capacidade de aparelhamento dos Movimentos – troca de pés durante a condução de bola.

- Capacidade de Orientação Espaço Temporal – direita, esquerda, para trás e para frente com condução de bola.

- Capacidade de Diferenciação Sinestésica – Deslocando-se sem bola, domina e chuta.

- Capacidade Equilíbrio – Ficar sobre um dos pés. Idem de olhos fechados. Saltar sobre um dos pés.



Capacidades de Adaptação e exemplos:



- Capacidade de Reação – Dois atletas. Um de costas para o outro. O de trás passa a bola e o da frente ao vê-la passar, corre e domina a bola, invertendo-se as ações.



- Capacidade de Ritmo – Joga bola para o alto, bate palmas e volta a pegar ou conduzir a bola sobre as linhas de quadra.



Lembrando que as capacidades coordenativas têm seu desenvolvimento mais intenso até o inicio da adolescência, diminuindo progressivamente as possibilidades de seu desenvolvimento a partir desta idade.



Portanto o simples feito de repetirmos fundamentos, não produz os resultados esperados na melhora da técnica do atleta.

Tome por exemplo o atleta mais habilidoso que você conhece. A técnica que tanto lhe chama a atenção está sustentada por uma tremenda capacidade coordenativa. O inverso também é verdadeiro, ou seja, um atleta de técnica deficiente carece de umas capacidades coordenativas apuradas.

Por último lembramos que definição de coordenação motora é:

“a organização das ações motoras ordenadas até um objetivo determinado “ ( Schnabel e Meinel,1998) e,



2) A Capacidade de Tomada de Decisão



Inicialmente,vamos contar aqui uma história vivida recentemente junto às crianças de uma turma sub-11 de nosso centro de treinamento, em Joinville (SC). Ao final de cada aula promovemos a parte do método que chamamos de global, ou seja, dividimos as crianças em duas equipes (com substituições) e colocamos a jogar. A escolha de cada equipe é sempre feita pelo Professor, buscando sempre o equilíbrio entre os atletas, facilitando um jogo bem disputado. Feita divisão e todos prontos para jogar colocamos as seguintes regras para a partida:

- No campo de defesa, toque livre.

- No campo de ataque um toque ou se dominassem a bola teriam obrigatoriamente que chutar ao gol.

Mesmo com as equipes muito bem equilibradas tecnicamente entre si, uma das equipes venceu por 7 X 0.

Moral da história: A equipe vencedora entendeu e reagiu muito melhor as tomadas de decisão propostas. Tecnicamente as equipes se equivaliam, mas a diferença foi responder rápido a situação que se configurava e a decisão de imediato tomada.

Nosso atleta tem que estar acostumado a resolver problemas, a tomar decisões ao mesmo tempo em que trata de melhorar a técnica.

Discutiremos então quais as decisões básicas que nossos atletas tomam numa partida de futsal, ainda que inconscientemente e claro, a forma de treiná-las.



1) Nosso atleta não tem, mas quer a bola.



5X5 – o atleta que tem a bola não pode ser desarmado, mas a trajetória de seu passe pode ser interceptada. Enquanto isso os outros três de movimentam fugindo da marcação buscando espaço para receberem livres. Quando um outro atleta recebe a bola, é este que não pode ser desarmado e o que passou vai buscar espaço para voltar a receber.



2) Nosso atleta tem a bola e quer ficar com ela – Jogo dos 3 toques ou mais.

5X5 – O atleta que tem a bola não pode se livrar dela antes que dê 3 toques, portanto andando com a bola, o que dificulta a marcação do adversário direto e faz concomitantemente faz sua equipe andar.Enfatizar que ao proteger a bola para andar com ela ,deve colocar seu corpo entre a bola que protege e o adversário que tenta recupera-la

3)Nosso atleta tem a bola e quer se livrar dela rapidamente, aproveitando o desequilíbrio do defensor e da defasa adversária – Jogo da Zona de Armação.

No espaço compreendido entre as duas marcas do tiro de 10 metros, somente 1 toque na bola. A este espaço de quadra chamamos de zona de armação e é daí que saem à maioria dos passes que encontram nosso companheiro em condições de marcar. O defensor quando tenta nos abordar para o desarme já está desequilibrado para fazê-lo, porque nosso passe já saiu,proporcionando o início de uma vantagem numérica. Nas outras zonas da quadra, toque livre.

A isto chamamos de ações de sustentação tática e, ao mesmo tempo, que trabalhamos o sistema tático da equipe nunca paramos de trabalhar o refinamento das tomadas de decisão.



Pense nisso e até breve...

 


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