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SER CAMPEÃO NAS CATEGORIAS DE BASE OU FORMAR ATLETAS DE FUTSAL ?

Prof. Esp. Marcos Avellar - RJ / Transcrito do Blog Marco Bruno
Publicado em 22 de outubro de 2008

Quando falamos em formação de crianças nós devemos atingir 100%, ou seja, todas. Qual é o único lugar que essa situação é possível? Na escola. Nos paises de 1º mundo esportivo, isso acontece e como o nosso assunto irá abordar o esporte a formação do atleta também é feita na escola por motivos óbvios, porque lá estão as pessoas que estudaram e receberam as informações que irão permitir que nossas crianças recebam as orientações corretas para que esse complexo processo de desenvolvimento ocorra. Como infelizmente a realidade brasileira não é essa a formação dos nossos atletas acontece nos lugares mais variados como Clubes, escolinhas, etc.



A formação de uma criança tem que passar por etapas de desenvolvimento que são necessárias para que ao final da infância (por volta dos 12 anos) ela tenha controle dos seus movimentos para que a partir daí comece a iniciação desportiva, se em algum momento a criança pular alguma etapa, receber informações erradas ou for mal trabalhada poderemos estar perdendo não só um talento desportivo, mas um cidadão em sua plenitude. Sim meus amigos mais que um atleta nós estamos formando um cidadão e usando o esporte como um meio e não como um FIM para esse processo.



Infelizmente não é isso que observamos por ai e sim processos de formação não condizentes com a faixa etária da criança, seja no âmbito motor, afetivo ou cognitivo. Por exemplo, numa turma de chupeta que vai dos 6 aos 7 anos (acho um absurdo crianças nessa idade competir, mas enfim isso é o Brasil), já vi um “professor” (duvido que seja), falar aos gritos: “Não da o passe desequilibrado, eu já falei que só pode passar equilibrado”. Com certeza ele não sabe que nessa faixa etária a criança tem que ser trabalhada entre outras várias ações coordenativas o equilíbrio e o principal quando se trabalha com crianças temos que ter o conhecimento de que ela aprende (cognitivo) com o pensamento concreto, isto é, necessita executar as ações pedidas e vivência-las para compreender, corrigir uma criança apenas no plano da linguagem, é insuficiente, somente após a infância ela irá aprender com informações verbais.



Posto essas informações que em minha opinião se fazem necessárias, começo a tentar falar do processo de formação dos atletas de futsal que acompanho há quase 30 anos. Vejo um organograma de “frustrados” e pessoas mal informadas que comandam esse processo, pois se espelham no futebol profissional para nortear suas ações. O diretor, o supervisor, o técnico, o preparador, cobram resultados, performances dos jogadores e se esquecem que o objetivo não é ser campeão e sim, formar cidadãos em primeiro lugar (nunca podemos nos desvincular desse objetivo), pois sabemos que poucos conseguirão e atletas, seja para o adulto ou para o futebol de campo, esse sim é o verdadeiro objetivo quando falamos em FORMAÇÃO, afinal formação, base para que? Pra onde?



Enquanto essa lógica prevalecer continuaremos a ver “Basquetesal, handesal, queimadosal”, etc, pois o que interessa é GANHAR em detrimento do FORMAR.



Quanto a nós professores (sim considero esse quesito fundamental, mas não somente ele) devemos nunca perder o foco que estamos tratando de categorias de base, ou seja, de formação e eles precisam que nós construamos um forte embasamento e conceitos que irão servir para o seu futuro, primeiro como cidadão e depois como atleta. Dar a liberdade pra que possam errar sem medo, sem serem repreendidos com xingamentos ou palavras que abaixem sua estima ou pior ainda os inibam de aprender, são crianças em formação e os erros são normais e bem vindos durante o processo de aprendizagem, pois quando eles erram também acontece o processo de aprendizagem.



Outra coisa que muito me incomoda são os clubes convidarem crianças com altos salários e pais que fazem leilão com seus filhos. Nesse momento o mais importante para essa criança é aprender para a modalidade (e para a vida), ter uma boa formação motora; aprender a jogar em várias posições; chutar com ambos os pés; fazer leitura de jogo; vivenciar diversas variações táticas; aprender padrões de jogo e suas variações; ter espírito de equipe; ser humilde; respeitar o próximo; saber o real valor de uma vitória; aprender com a derrota; hoje ser titular; amanhã ser reserva; hoje acha que vai ganhar e perde; amanhã pensa que vai perder e ganha, afinal a vida não é assim? No processo de formação que tanto falei nesse artigo, não seria melhor ao invés de dinheiro que o clube desse uma boa escola, um curso de inglês, um curso de computador, uma aula de reforço escolar, uma cesta básica, enfim como falei antes poucos vingarão e caso não vingue à criança terá instrumentos para seguir sua vida normalmente.



Para terminar, imagino que algumas pessoas estejam se perguntando: Quer dizer que meu filho vai para uma equipe para não ganhar? Claro que não, ganhar é importante quando pensamos em competição, caso contrário não estaríamos formando atletas, mas com crianças em formação, a vitória deve ser um meio e não o fim, sem falar que quando esse processo ocorre os resultados acontecem. Devemos ser competitivos e exigir que façam aquilo que julgarmos mais importante, cobrando empenho, dedicação e outras responsabilidades. Assim teremos não só um atleta, mas também e principalmente um cidadão para a vida e se ele não se tornar um jogador de sucesso, o será como ser humano, pois precisamos além de jogadores, médicos, engenheiros, etc. Se isso ocorrer, o trabalho da base terá sido bem sucedido.









 


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