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Craques de beira da quadra

Emerson Gonçalves
Publicado em 10 de junho de 2006

Na base da amizade e sintonia tática, Ferreti e Morais conduzem a vitoriosa Malwee



Se em quadra o time de futsal da Malwee tem craques como Falcão, Valdin, Xoxo, Chico, Bagé e Xande. fora dela conta com uma dobradinha vencedora: o treinador carioca Fernando Ferreti, 51 anos, e o auxiliar-técnico, o gaúcho de Santa Maria (RS) Marcos Morais, conhecido como Marcão.

Tal entrosamento ficou evidente em duas oportunidades. Ano passado, quando Marcão dirigiu a equipe durante a passagem de Ferreti pelo comando técnico da seleção brasileira e este ano, quando Morais teve que assumir a equipe por boa parte da Liga Futsal por motivos de doença do treinador e amigo.

Nos dois casos, o time manteve o padrão de jogo, ganhou títulos e se consolidou como uma das maiores forças do salonismo brasileiro da atualidade. Mesmo de longe, Ferreti e Marcão se comunicavam e trocavam idéias sobre o desempenho do time nas disputas em que estavam envolvidos. Mas a história destes dois profissionais não começou na beira da quadra do Wolfgang Weege. "É uma amizade de mais de 20 anos", emenda Ferreti, bem humorado.

Uma amizade iniciada em 1985. "Na época eu estava no time do Perdigão, enquanto ele dirigia o Fluminense", lembra Morais. Durante uma competição nacional, ambos se encontraram e começaram a trocar idéias sobre esquema tático e metodologia de treinamento. "Foi legal porque daí quando algum time precisava de técnico um acabava indicando o outro", continua Marcão. Ele próprio foi recomendado por Ferreti para atuar junto a extinta equipe da Inpacel do Paraná entre 1993 e 1994, período em que a equipe conquistaria o bicampeonato da Taça Brasil de Clubes. Marcos Morais retribuiria a indicação, recomendando o colega para o time de Tigre, anos depois.

Antes da Malwee, os dois trabalhariam juntos na equipe de futsal da GM, em São Paulo, entre 1997 e 1998. Por pouco os dois não voltaram a trabalhar juntos no Vasco da Gama (RJ), campeâo da Taça Brasil e Liga Futsal em 2000. "O Ferreti saiu e o Marcão chegou", se recorda o supervisor da Malwee. Kleber Rangel, que gerenciava a equipe carioca naquela oportunidade.

Não demoraria muito para que os destinos profissionais de ambos se encontrassem novamente em Jaraguá do Sul, num projeto que em menos de cinco anos culminaria na formação de um dos times mais vencedores da história do futsal brasileiro.



Pensamento comum e humildade



Além da amizade, o que parece fortalecer a sintonia no comando técnico da Malwee é "o pensamento comum" e principalmente a "humildade" de treinador e auxiliar-técnico. "É engraçado que até nas viagens que o time faz, de avião ou ônibus, os dois sentam um ao lado de outro e ficam conversando sobre tática", observa o supervisor da Malwee, Kleber Rangel.

"Considero o Marcão, além de um amigo, um dos melhores técnicos do futsal brasileiro", emenda Ferreti. Já Morais responde: "Sou auxiliar-técnico por convicção e aqui não tem essa de 'querer puxar o tapete um do outro' como ocorre em outros centros. Nós nos unimos, principalmente nas dificuldades", argumenta Marcão.

Tanto um quanto o outro concordam que surgem divergências, mas que tudo é resolvido harmoniosamente e ali, na preleção. "Isto é possível pelo fato de tanto ele quanto eu termos plenos domínios dos conceitos táticos do time", aponta o técnico.

Ele acrescenta que não existe nenhum tipo de vaidade da parte de nenhum dos dois. "Infelizmente, há uma cultura na qual o treinador acha que sabe tudo. Normalmente este tipo de profissional procura se cercar de auxiliares subalternos que não fazem reticências a seu trabalho e que não possam ameaçar sua posição", reitera.

Para ele, Morais é tão capaz quanto ele. O entrosamento de ambos é tanto que ficam sem graça quando questionados qual o defeito que um aponta no outro. "Não diria defeito, mas ao contrário de treinadores como Bernadinho do vôlei, que usam o estresse como ferramenta de trabalho, o Ferreti é mais de conversar com o atleta, mesmo quando este erra. Ele consegue impor sua autoridade através do diálogo".

"É complicado falar em defeitos quando se trabalha junto e existe uma sintonia. Pelo contrário, acredito ser a humildade uma das virtudes dele (Morais)". Em relação à metodologia de Bernardinho, o treinador tem opinião formada. "Respeito o trabalho dele que é vencedor, mas não concordo. Isto fica evidente até nas palestras que ele profere em cursos para técnicos. Para mim, a argumentação e o diálogo são fundamentais". Tanto Ferreti quanto Morais têm contrato com a Malwee até o final de 2006.

 


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