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Organização das estruturas
metodológicas do treinamento


Prof. Esp. Marcos Xavier de Andrade
Publicado em 12 de maio de 2008

Organograma dos Sistemas: Marcação/Movimentação/Contra-ataque

Na organização do organograma dos sistemas abaixo, analiso o que em minha opinião merece destaque na estruturação das sessões de treinamento.

Através de algumas analises estatística e por intermédio de experiência prática do dia-a-dia de trabalho, observo que este esquema tem atendido com extrema eficiência minhas necessidades na elaboração de meus planejamentos, sendo assim, gostaria de compartilhar este organograma e apresentar “minha visão” em relação há este assunto:

Em destaque dentro do organograma os sistemas de Marcação, Movimentação e os Contra-ataques. Acredito que estes três sistemas podem ser definidos como “Inicio, Meio e Finalidade”.

Abordei de forma rápida e objetiva os sistemas de Marcação e Contra-ataque por entender que os mesmos são exaustivamente destacados nas literaturas, de qualquer forma farei minhas observações em relação a cada item:

MARCAÇÃO:

·         Recuperação da posse de bola – disponibilizar recursos táticos com objetivo de obter (recuperar) a posse de bola.

Recursos táticos como sistemas de marcação coletiva e individual, delimitações dos setores de marcação (linhas e zonas), com utilização de vantagem e também em desvantagens numéricas (gol linha e expulsões), ações voluntárias e involuntárias de acordo com circunstancias do jogo (em vantagem e em desvantagem no placar).

 

CONTRA-ATAQUE:

·         Definição / Conclusão – disponibilizar recursos técnicos e táticos com objetivo de aprimorar e potencializar as investidas ao ataque, encerrando este ciclo com velocidade e finalizações ao gol.

Os esforços devem ser concentrados em executar os contra-ataques em máxima velocidade e precisão (selecionar passes e passagens dos homens sem bola), desenvolver percepção dos espaços a serem explorados (nas finalizações e nas ações individuais “dribles”), buscar aprimoramento individual (1x0 ação contra o goleiro / finalizações ao gol / passes de “segundo pau”). Defini-se como contra-ataque toda ação que represente uma superação da ação ofensiva, mais característicos em situações de 2x1, 3x2, 4x3.

 

De forma proposital escolhi deixar por ultimo o tópico que considero o mais importante e que abordei com mais especificidade por se tratar da minha linha de trabalho, pois acredito que a Movimentação esta intimamente ligada a Criatividade, além é claro de elementos técnicos também presentes nos outros sistemas acima citados.

Ao longo de meu trabalho venho desenvolvendo pesquisas e treinamentos que preconizem o desenvolvimento dos aspectos criativos do atleta, como forma de manter a essência do Futsal Brasileiro, por este motivo todos os meus esforços tem sido em buscar ferramentas que auxiliem nossos atletas na manutenção deste diferencial.

Ao abordar a seguir os elementos do organograma relacionados à Movimentação, gostaria de não me privar e expor alguns tópicos que fundamentem minhas conclusões.

Precisamos entender que os atuais modelos de treinamento devem preconizar a criatividade e o poder de realizar coisas novas, não apenas repetir o que já existe.

MOVIMENTAÇÃO:

·         Passe – Sem dúvida este é o fundamento primário do futsal, um atleta deve sempre buscar a perfeição do seu passe, uma seqüência de passes em deslocamento pode ser definida como movimentação, por sua vez esta movimentação de forma organizada e pré-estabelecida poderá ser definida como (padrão ou manobra). Cujo principal objetivo e facilitar o entendimento entre os membros da equipe, dificultando ao adversário a recuperação da posse de bola.

       Critérios de Seleção – A responsabilidade em estar com a bola aumenta na medida em que necessitamos nos deslocar a fim de dificultar a recuperação da posse de bola pelo adversário, outro aspecto importante são os critérios de seleção do passe, ou seja, identificar os momentos corretos para transferir esta responsabilidade.

Alguns cuidados devem ser trabalhados para evitar riscos e não comprometer o sistema defensivo da equipe, cuidados como: ansiedade, pressão do adversário, desorganização da equipe, utilização dos fundamentos (passe rasteiro, meia altura, alto/ fraco, forte / curta, média, longa distancia).

                  Aprimoramento dos fundamentos básicos – evidentemente esta questão requer uma atenção especial, pois os aprimoramentos técnicos dos fundamentos formam a base de todo o trabalho tático de uma equipe, sendo assim, necessitamos organizar nossos planejamentos de trabalho dando ênfase ao aprimoramento dos fundamentos (passe, recepção, finalização, condução de bola, etc...).

 

·         Criatividade – Diria que esta é a espinha dorsal de meu trabalho, melhor dizendo, de minha linha de trabalho, pois esta relacionada à busca e o desenvolvimento da criatividade do atleta, por este motivo venho desenvolvendo atividades e esquematizando uma estrutura de treinamento que facilite o entendimento e o funcionamento eficiente destas questões.

Segundo Conrado Schlochauer sócio-diretor do Laboratório de Negócios SSJ em São Paulo, que aposta na inovação como verdadeiro impulsionador do aprendizado “Sem uma busca ativa por novas idéias, os caminhos serão sempre os mesmos” comenta ainda que “A tendência do ser humano é buscar fatos e informações já conhecidos porque, com isso, economizamos energia. E isso é neurológico” o que esquecemos é que se não utilizarmos outros caminhos as respostas serão sempre iguais, facilitando a prevenção de nossas ações por parte dos nossos adversários.

Existem razões de sobra pra entendermos a importância do desenvolvimento criativo no ser humano, pois é justamente a capacidade criativa que acaba nos tirando de situações de adversidade, principalmente no futsal, um esporte que exige muita destreza. Nosso desafio é preparar nossos atletas para livrá-los de sistemas de marcação precisos, adversários qualificados, desvantagens entre outras situações.

        Ações Inovadoras – Embora pareçam à mesma coisa, as diferenças são significativas, possuímos como brasileiros o dom de sermos criativos, mais necessitamos também sermos inovadores e isso requer muito trabalho e dedicação, para Bob Wollheim “Inovar requer trabalho, pensar muito, quebrar regras e padrões, não se prender ao que já foi feito ou a modelos que já existem e criar tudo novo” segundo ele “Quem souber pensar à frente do resto do mundo – e agir dessa maneira – terá a capacidade de crescer e progredir. Quem por outro lado ficar a margem desse processo ficará à margem do processo e da renda”.

 

São depoimentos de consultores executivos bem sucedidos que servem de bons exemplos para nós desportistas, pois o que ocorre no mundo dos negócios se aplica em nossas vidas esportivas e vice-versa.

Por isso não podemos deixar para resolver nossos problemas no exato momento em que eles ocorrem, necessitamos ter organização e principalmente discernimento para encontrarmos novos caminhos para driblar os caminhos já conhecido por todos.

        Vivencia de novos modelos – Significa oportunizar ao atleta treinamentos diferentes do modelo original, ou seja, implementar ao treinamento jogos de regras especificas, alterar espaços na quadra, modificar a estrutura do jogo, entre outras. Assim o atleta começa a buscar soluções aos problemas encontrados no jogo, diferentes dos habituais, proporcionando assim o desenvolvimento do raciocínio.

·        Objetividade – A movimentação e as ações ofensivas que levam a definição do lance, deve sempre conter o ingrediente de objetividade, assim como acontece no voleibol o “rally” no futsal também tem um tempo determinado, identificar o melhor momento reger muita atenção e concentração, sendo assim a objetividade passa a ser o ponto fundamento e a chave de toda essa questão, pois todo ataque necessita ser finalizado com finalização a gol, caso isso não ocorra todo o esforço ira geral apenas desgaste físico.

        Atitudes – Neste ultimo tópico o destaque refere-se a importância do envolvimento do atleta ao trabalho proposto, faz-se necessário que o atleta tenha atitudes e comprometimento diante do trabalho. Adotar postura sempre positiva, buscando auxiliar o seu companheiro e fornecendo também o feedback ao seu Técnico, isso ira contribuir na evolução dos treinamentos, aumentando a qualidade e proporcionando também uma melhor adaptação ao jogo.

 

·           Conclusão - É muito importante destacar que o objetivo principal deste artigo e contribuir na elaboração dos planejamentos de trabalho, proporcionando assim aos responsáveis pela função, elementos básicos para a estruturação do seu programa de treinamento. O artigo visa também apresentar um modelo de trabalho baseado sempre na criatividade do atleta, dando a ele o poder e a autonomia de decisão no jogo. É importante entender também, que o técnico é o responsável pela estrutura e a estratégia do jogo, mais o atleta deve participar ativamente das decisões aos problemas por ele encontrado numa partida, isso é de suma importância para o sucesso do trabalho.

Desejo sucesso sempre aos profissionais, aos atletas e aos seus clubes... Grande abraço a todos!



 


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