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Utilização do Treinamento para memorização das habilidades motoras

Prof. Esp. Marquinhos Xavier - Horizontina Futsal - 2008
Publicado em 24 de outubro de 2008

Muito mais do que mesclar volume e intensidade, o treinamento propõe outras variáveis importantes, tais como: mecanização de movimentos, repetição de gestos específicos, ajustes e substituição de movimentos, aprimoramento técnico, entre outros.

É necessário entender que o treinamento esta intimamente ligado a repetição desses movimentos, e por sua vez, ao condicionamento de gestos motores e sensoriais.

Não basta apenas treinar por varias horas, é importante executar estes movimentos de forma correta, criando assim um padrão de movimento e gesto eficiente.

Praticar um movimento ou gesto especifico por varias vezes (repetição) poderá torná-lo memorizado, ou seja, criar um padrão de movimento.

Para Fox estes padrões são chamados de “engramas motores” segundo ele “um engrama é um traço permanente deixado por um estimulo no protoplasma tecidual” diz também que, “este movimento ou gesto depois de memorizado ficara armazenado, e sempre que o individuo desejar realizar, essa determinada habilidade motora particular será “reinterpretada” (replay), reproduzida conforme armazenada”.

Pois bem, com isso a palavra treinamento ganha importância ainda maior, pois não basta apenas treinar, mais realizar o treinamento de forma adequada, a fim de obter padrões de movimentos corretos.

É comum escutarmos todos os dias atletas e treinadores justificando resultados com as seguintes palavras “estamos trabalhando muito, mais não estamos conseguindo os resultados”, pois bem, talvez essa seja uma das explicações, pois muito mais importante do que treinar horas e horas, e treinar de forma eficiente.

Uma finalização a gol, por exemplo, pode ser treinada de forma desajustada, levando o atleta a ser perfeito em sua imperfeição, quem nunca viu aquele atleta treinar finalizações a gol sem o mínimo de concentração e preocupação com os movimentos corretos? É normal vermos todos os dias o atleta muito mais preocupado com a força em que vai finalizar e com a potência do seu chute, do que com a direção que a bola ira percorrer. Por esse motivo acerta sempre o mesmo lugar, mais fora do alvo (gol), ele adquiriu um padrão motor (engrama) incorreto e sempre que acionar este padrão ira realizá-lo incorretamente tal como armazenado em seu cérebro.

Quando isso ocorre, existe a necessidade de um “realinhamento”, ou seja, uma substituição do padrão anterior, este realinhamento se transformara em uma memória motora para essa habilidade especial.

Esse realinhamento (correção) poderá ser acionado com um estimulo apropriado e utilizado imediatamente sempre que necessário.

Para ilustrar esta teoria vamos imaginar agora que em nosso cérebro existissem varias gavetas, como aqueles velhos arquivos de escritórios, e em cada um deles existissem uma tarefa armazenada.

Sempre que enviamos uma mensagem ao nosso cérebro solicitando determinada função, ele ira recorrer ao seu arquivo, e lá encontrara (ou não) a função desejada.

Se este movimento estiver arquivado de forma correta, a probabilidade de acerto é garantida, já ao contrario será reproduzida sem êxito.

É importante saber que esse mecanismo funciona da seguinte forma: “os proprioceptores envolvidos na tarefa enviam uma mensagem ao SNC (sistema nervoso central). Então o “engrama” estocado é utilizado como modelo”.

Estes “engramas” uma vez aprendidos e armazenados poderão ser utilizados sempre que necessários.

Segundo Fox “Se e quando ocorrem desvio em relação ao engrama armazenado uma correção é feita graças à liberação de sinais motores adicionais pelo córtex motor, de acordo com o que é lhe comunicado pelo cerebelo”.

O que nos remete a entender que podemos fazer pequenos ajustes nesses padrões, que garantam a eficiência da tarefa proposta.

E como conclusão final deste artigo é importante analisar o treinamento como um trabalho constante de correção, um movimento ou gesto uma vez aprendido de forma correta poderá garantir o sucesso de sua equipe em uma partida.

O assunto é interessante e complexo, para saber mais consulte a bibliografia:



The Physiological Basis of Physical Educattion and Athletics

“Bases Fisiológicas da Educação Física e dos Desportos”

Edward L. Fox, Richard W. Bowers e Merle L. Foss

Editora Guanabara Koogan S.A / Rio de Janeiro-RJ



marquinhosxavier@msn.com

 


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