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APRENDIZAGEM NO FUTSAL: MÉTODO ANALITICO OU GLOBAL?

DAMASCENO, Gleison José. Formado em Licenciatura e graduando de Bacharelado pelo Centro Universitário de Caratinga-MG: UNEC.
Publicado em 26 de novembro de 2007

Atualmente, um dos desportos que mais cresce o número de adeptos no Brasil e no mundo, é o futsal.

Santana (2005), diz que o futsal, esporte que surgiu da fusão entre o futebol de salão e o futebol cinco, isso no final da década de 80 do século XX desenvolveu-se substancialmente nos últimos dez, doze anos. Muito disso, deve-se às significativas alterações ocorridas nas suas regras. Estas teriam feito do futsal, em comparado ao futebol de salão, um esporte mais dinâmico, competitivo e atraente.

Pode-se citar também que, os espaços públicos nas cidades diminuíram, forçando as pessoas que praticam desportos, a jogarem em locais reduzidos e por precisar apenas de uma bola e metas que podem ser improvisadas facilmente, pois sua adesão é de fácil adaptação.

Percebe-se que sua pratica é a mais realizada entre os desportos, porém, vamos dividir esta, em duas maneiras distintas: a primeira é aqueles onde os indivíduos praticam por praticarem, sem a importância de realizarem a técnica e tática corretamente, ou seja, os praticantes, o realiza como forma lúdica não-formal ou a famosa ”peladinha”; na segunda maneira, podemos dizer que os participantes jogam futsal com o intuito de praticar a técnica e tática de jogo, sendo de maneira formal, onde tem uma pessoa para instruir estes indivíduos, ou seja, o professor, podendo ser realizado de forma lúdica também, porém com objetivo de aprendizagem. Nesta segunda maneira de praticar o futsal, pode-se considerar as escolinhas.

Quando se trabalha em escolinhas de futsal, o professor tem o papel de educador e tem a todo o momento, ser exemplo de vida para seus alunos e ser conhecedor profundo da modalidade em questão para desenvolver bem o seu papel.

Após adquirir estas qualidades básicas, tem que instruir suas aulas com algum método de aprendizagem, e os mais comuns são: o método analítico e global que são relevantes para que o aluno consiga alcançar êxito no processo de aprendizagem.

O grande problema que a maioria dos professores encontram é saber qual método é mais adequado ou eficiente para que os alunos possam estar aprendendo a prática do desporto, que muitas vezes é aprendida com objetivo de ser atleta profissional ou outros fins, e que independente de qual seja o objetivo a alcançar, os pais sempre cobram que seus filhos aprendam o melhor possível e em um tempo mais rápido e que o responsável por esta evolução, são os professores.

Menciona Costa (2003), que um método de ensino adequado é o caminho mais rápido para se atingir os objetivos e metas essenciais de qualquer modalidade esportiva.

Segundo Costa (2005), o professor desempenha um papel central e decisivo, ensinando os elementos da técnica e da tática, contribuindo para o desenvolvimento físico da respectiva capacidade física.

Entre um método e outro, o professor tem que optar em escolher o método que proporcione interesse dos alunos em praticarem as aulas.

Para Costa (2005), nas aulas, o ideal é que o aluno nunca sinta o tempo passar e que tenha prazer em relação às atividades propostas pelo professor.

O objetivo do estudo é analisar qual método é mais adequado ou eficiente no processo de aprendizagem nas aulas de futsal através de revisão bibliográfica.



-CONCEITOS E VISÃO DE ALGUNS AUTORES SOBRE OS MÉTODOS ANALÍTICO E GLOBAL-



-O PRINCÍPIO ANALÍTICO-SINTÉTICO-

Para Santana (2005), quando falamos em métodos parciais, métodos analíticos, exercício por partes, atividades centradas na técnica, geralmente estão considerando o princípio analítico-sintético. Reis (1994, p. 9), o define como “[...] aquele em que o professor parte dos fundamentos, como partes isoladas, e somente após o domínio de cada um dos fundamentos o jogo propriamente dito é desenvolvido”.

De acordo com Santana (2005), esse modelo surgiu, primeiramente, nos esportes individuais. É, particularmente, representado pelo método parcial e assume várias definições que apontam para um mesmo ponto: as habilidades são treinadas fora do contexto de jogo para que, depois, possam ser transferidas para as situações de jogo.

Um fragmento do conteúdo específico do futsal subdivide-se em dois grupos de elementos técnicos, a fim de facilitar o aprendizado das especificidades de jogadores de quadra e dos goleiros. Desta forma, temos os elementos das Técnicas Individuais dos Jogadores de Linha e elementos das Técnicas Individuais do Goleiro (ambos subdivididos em ações com bola e sem bola), conforme elencados e apresentados sinteticamente, segundo Rezer (2003):



Fundamentos Técnicos do futsal

Técnicas Individuais dos jogadores de linha: Domínio; passe; recepção; condução; drible; chute; marcação; finta; antecipação; cabeceio; bloqueio;



Técnicas Individuais do goleiro: Empunhaduras; defesas baixas; defesas altas; arremessos/lançamentos; saídas de gol; domínio; passe; recepção; chute.



Desvantagens do método parcial, segundo Costa (2003):

• Não possibilita o jogo por imediato, por conseqüência, não motiva a sua prática;

• Cria-se um ambiente que não há criatividade por parte dos alunos;

• Pode proporcionar um ambiente monótono e pouco atraente;

• Por se trabalhar as habilidades motoras, o método parcial não consegue criar situações de exigências próprias do jogo.



Vantagens do método parcial de acordo com Costa (2003):

• Possibilita o treino motor correto e profundo de todos os elementos da técnica do jogo;

• Possibilita ao professor aplicar correções imediatas a realização de um gesto técnico errado por parte do aluno;

• O acompanhamento dos progressos de aprendizagem sob a forma de avaliação de desempenho é facilmente realizável;

• O método permite ao professor trabalhar dentro dos estágios de aprendizagem, individualizando o ensino das habilidades, desta forma, respeitando o ritmo de aprendizagem de cada aluno.



Conforme Reis (1994) apud Rezer (2003), as propostas do ensino/ aprendizagem de esportes coletivos sugeridos pela bibliografia brasileira, propõem basicamente o ensino através do método parcial de ensino, sendo a maioria das propostas metodológicas de ensino diz respeito à fragmentação do esporte em etapas a serem cumpridas, e não como um processo dissociando o ensino da técnica da tática.

O ambiente do método parcial muitas vezes é desaconselhável de acordo com Rezer (2003), porque se observa o abuso da verbalização, sobretudo para pedir a bola. Outra característica marcante é a extrema aglutinação em torno da bola e a elevada utilização da visão centralizada. Como característica marcante, evidencia-se a centralização da atenção na bola e problemas de compreensão do jogo.

Para Garganta (1995) apud Rezer (2003), não pode ser desenvolvido apenas através de soluções impostas, ou seja, centrada apenas na técnica, pois as ações se tornam mecanizadas, e a criatividade (extremamente importante na resolução de problemas), ainda não encontrou melhor forma de se desenvolver em sua plenitude do que através de situações lúdicas de descoberta.



-O PRINCÍPIO GLOBAL-FUNCIONAL-



Relata Santana (2005), ao falarmos de método global, nos referimos ao princípio metodológico global-funcional. Neste, criam-se “[...] cursos de jogos, que partem da simplificação de jogos esportivos de acordo com a idade, e através de um aumento de dificuldades na formação de jogos até o jogo final (DIETRICH, DURRWACHTER e SCHALLER, 1984, p. 13)”. A série de jogos (recreativos, grandes jogos, pré-desportivos...), portanto, representa a medida metodológica principal.

Esse método (global) tem se mostrado mais consistente quando comparado aos analíticos, pois atende o desejo de jogar dos alunos, conseqüentemente, estes ganham em motivação e o processo ensino-aprendizagem é facilitado (GRECO, 2001 APUD SANTANA 2005).

De acordo (Reis, 1994) apud Santana (2005), o método global parte da totalidade do movimento e caracteriza-se pelo aprender jogando; parte-se dos jogos pré–desportivos (jogos com algumas alterações nas suas regras) para o jogo formal; utiliza-se, inicialmente, de formas de jogo menos complexas cujas regras vão sendo introduzidas aos poucos.

Costa (2005), na iniciação desportiva deve se ter como prioridade à preparação da criança para o aprendizado do jogo. Na iniciação ao futsal, prepara-se a criança para jogar, desta forma, procurando desenvolver na criança sua capacidade de jogo.



Desvantagens do método global segundo Costa (2003):

• O aluno demora a ver o seu progresso técnico, o que pode provocar a desmotivação;

• Não proporciona uma avaliação eficaz sobre o desempenho do aluno;

• A repetição é uma constante neste método;

• Não permite o atendimento das limitações individuais.



Vantagens do método global para Costa (2003):

• Possibilita que desde cedo o aprendiz comece a praticar o jogo;

• A técnica e a tática estão sempre juntas;

• Permite a participação de todos os elementos envolvidos, como o movimento, a reação, percepção, ritmo e outros;

• Aumenta a motivação da pratica.



Relata Costa (2003), que a importância da aprendizagem, do método de ensino, justifica-se pela necessidade da formação de um aluno inteligente que possa resolver, da maneira mais apropriada, os problemas que ele encontra em forma de situação de jogo.

Conforme Greco (1998) apud Rezer (2003), é importante oferecer para as crianças situações de jogo (do próprio jogo, em que as tarefas/problemas sejam típicas).

Relata Rezer (2003), quanto maiores forem as possibilidades de percepção das situações problema no decorrer de um jogo, maior poderão ser as possibilidades de resolução dos mesmos, devido a uma leitura mais ampla e precisa das situações ocorridas.

Santana (2005), destaca-se, no método global, o fato de que os alunos, ao jogar, são obrigados a tomar decisões. Para tomá-las, deverão considerar fatores, como, por exemplo, o adversário, a sua colocação, a colocação do adversário, o posicionamento dos seus companheiros e o que fazer com e sem posse de bola, ou seja, quem joga interage com os imprevistos que somente o jogo propicia. A possível decorrência disso é tornar-se mais inteligente para jogar. Por conseguinte, as habilidades são desenvolvidas num contexto de jogo de forma aberta (vivenciadas num contexto de imprevisibilidade), projetando uma herança de movimentos e de leitura tática promissora para quem aprende.



-ANALÍTICO X GLOBAL-

Segundo Rezer (2003), a fragmentação do ensino, pelo fato de que os aspectos técnicos, táticos, históricos e culturais da modalidade esportiva, não podem ser descontextualizados, sendo interpretados como se somados a peças, compõem o jogo.

Saad (1997) apud Rezer (2003), diz que, para exemplificar, aponta para a necessidade de contextualização entre a técnica e a tática, como relação indissociável, mas a grande maioria das obras que circulam sobre o ensino do futsal, por mais que apresentem metodologias alternativas de ensino (por exemplo, baseadas no lúdico), ainda tratam a técnica e a tática de forma segmentada.

Nesta forma de entender a sistematização pedagógica da construção do conhecimento técnico e tático como sendo indissociáveis, podemos citar Greco (1998) apud Rezer (2003), onde, em um compêndio com vários autores que analisam o esporte do ponto de vista de interação entre técnica e tática, propõem a promoção de situações de resolução de problemas no desenvolvimento do jogo, através de ações técnicas e táticas.

Seguindo esta linha, Souza e Leite (1998) apud Rezer (2003), no futsal, propõem o desenvolvimento de situações reais de jogo, onde através da técnica, situações em que o jogador se depara a todo o momento, são resolvidas, tornando a aprendizagem mais significativa. Os autores desenvolvem sua proposta através do que chamam de Estruturas Funcionais, ou seja, as determinações cognitivas e motoras que surgirão, mediante uma exigência estabelecida no decorrer do jogo.

Segundo Santana (2005), como explicitado, os princípios e métodos de ensino são opostos e têm objetivos distintos. O analítico é centrado na técnica, em exercícios, na repetição dos gestos esportivos e na especialização precoce do aluno em cima de algumas técnicas. O global é centrado na tática, no jogo, cujo ambiente torna-se mais prazeroso, a especialização precoce de algumas habilidades é refutada e o objetivo é desenvolver a inteligência do aprendiz.



-CONSIDERAÇÕES FINAIS-

Depois desta breve análise de vantagens e desvantagens, o professor deve estar perguntando ainda se o método analítico é conveniente trabalhar, porque o que acontece na maioria das vezes, quando um professor está ensinando a prática do futsal, é que, alguns alunos conseguirão realizar os fundamentos facilmente e outros não, porém é fácil correção dos mesmos, mas que, aqueles mesmos alunos que tem facilidade em executar os fundamentos de forma separada, apresentam dificuldades no momento do jogo e que aqueles que nem sempre conseguem realizar corretamente os fundamentos, podem se adaptar melhor do que aqueles alunos que o conseguem e também por último, estes alunos que não consegue realizar os fundamentos de forma parcial, no momento do jogo, não irão receber a bola de seus companheiros por não apresentarem uma boa técnica.

Do outro lado, se você trabalha com o aluno diretamente no jogo ou método global, este terá tomada de decisão que irá beneficiar no momento do jogo, porém, como o aluno irá tomar decisões de realizar um “passe em gancho” por exemplo, se ele não consegue realizar um passe curto com a parte interna do pé? Não seria melhor ele aprender os tipos de passes primeiro para depois usar como recurso em sua tomada de decisão?

Quando se trata de treinamento moderno, o método globalizado (LÓPEZ, 2002) apud Santana (2005), vem sendo o mais empregado, na medida em que interagem aspectos como a criatividade, a imaginação e o pensamento tático dos jogadores. Este autor define três objetivos principais desse método: (a) a constante tomada de decisões dos alunos, desenvolvendo assim sua inteligência tática, permitindo solucionar problemas que ocorrem durante a partida, (b) facilitar a compreensão por parte do jogador, da verdadeira estrutura do jogo com fases defensivas e ofensivas que requerem do jogador, posturas diferenciadas e (c) permite, também, que os alunos enfrentem com mais segurança a competição, já que enfrentam a mesma situação em treinamentos.

Ao término deste estudo, o método que parece mais eficaz para a aprendizagem no futsal, é o método global, mas cabe ao professor escolher qual método se adapta melhor aos seus alunos, fazendo com que estes sempre tenham interesse em estar praticando as aulas.



REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS:



COSTA, Claito Frazzon. Futsal: aprenda a ensinar. Editora: Visual Books; Florianópolis/SC: 2003.



____________________. Futsal: vamos brincar? Técnica e iniciação. Editora: Visual Books, volume 1, Florianópolis/SC: 2005.



PINTO, Fabiano Soares; SANTANA, Wilton Carlos de. Iniciação ao futsal: as crianças jogam para aprender ou aprendem para jogar? Lecturas: Educación Física y Deportes, Buenos Aires, v. 10, n. 85, jun. 2005.



REZER, Ricardo. A prática pedagógica em escolinhas de futebol/futsal: possíveis perspectivas de superação. 2003. 194 f. Dissertação (Mestrado em Educação Física) - Centro de Desportos, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2003.

 


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