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O Treino Tático

Rodrigo Azevedo Leitão - www.universidadedofutebol.com.br
Publicado em 23 de setembro de 2009

Não podemos creditar apenas ao treino físico, carga ou desgaste, metabólico ou neuromuscular, como se em um treino tático a dimensão física deixasse de existir!

Em um momento específico de sua história, a preparação desportiva do futebolista deparou-se com uma encruzilhada que definiria, posteriormente, décadas de um modelo de trabalho seguido à risca por treinadores, preparadores físicos e assistentes técnicos – modelo esse, que até hoje desponta como norte, especialmente no Brasil.

Os treinamentos “técnicos, táticos, físicos e psicológicos”, foram e têm sido, por muito tempo, fragmentados em partes isoladas, na expectativa de que somadas, pudessem resultar no “todo”, no bem “jogar” futebol.

O fato é que o desempenho do jogador de futebol é transdimensional, e isso quer dizer que suas dimensões, física, tática, técnica e psicológica, estão fortemente e intimamente relacionadas, de maneira que a separação delas (das dimensões) deve ter apenas caráter didático, e não prático-aplicado.

Não é possível creditarmos, por exemplo, apenas ao treino físico, carga ou desgaste, metabólico ou neuromuscular, como se em um treino tático a dimensão física deixasse de existir e todos os processos fisiológicos e bioquímicos ficassem suspensos até que, formalmente, o chamado “treino físico” acontecesse.

Da mesma forma, o desempenho do jogador em jogo está determinado por uma série de decisões que ele toma, expressas pela maneira como age. Então, as suas ações em campo são respostas as situações-problema do jogo (situações-problema que são integralmente físicas, táticas, técnicas e psicológicas), e só são possíveis (as respostas) se o jogador estiver preparado “física-tática-técnica-psicologicamente” ao mesmo tempo para manifestá-las.

Então, se reforçamos a ideia de que a dimensão tática (por exemplo), separada da física, da técnica ou da psicológica é apenas um recurso didático para auxiliar na compreensão do jogo de futebol como “todo”, devemos destacar, que, é preciso sim e também, conhecer cada uma delas (das dimensões) em suas particularidades – sobre isso, inclusive, Morin (1982) cita Pascal para dizer que é impossível conhecer as partes sem conhecer o todo, bem como conhecer o todo sem conhecer particularmente as partes. Outra coisa a se destacar é que, sendo o desempenho do jogador de futebol transdimensional, torna-se mais do que necessário que o treino tático (que é um dos objetos desse texto), a partir dos seus conteúdos, seja concebido como algo integrado as demais dimensões que expressam o desempenho do “jogar” futebol.

Mas, se por um lado, parecem estar na ponta da língua quais são os conteúdos físicos (força explosiva, velocidade, etc.) ou técnicos (passe, drible, desarme, etc.) do jogo, por exemplo, onde estariam e quais seriam os conteúdos táticos que correspondem ao futebol?

E, como se essa já não fosse uma pergunta de interessantes respostas, outra ainda mais ácida: como integrar transdimensionalmente (e não multidimensionalmente e nem interdimensionalmente) esses conteúdos (táticos, físicos, técnicos, psicológicos) e construir o treino?

Quando compreendermos as respostas para essas questões, sentiremos como se houvéssemos descoberto o “passe” secreto de uma mágica; ela quase fica sem graça (só não fica totalmente, porque não sabemos se nós, como o mágico, também conseguiríamos) e, no final, pensaremos; “como poderia ter sido diferente”...

Para interagir com o autor: rodrigo@universidadedofutebol.com.br
 


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