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O fardo de ser favorito

HUMBERTO PERON - Folha On Line
Publicado em 02 de agosto de 2007

Confesso que ainda não entendi porque no futebol brasileiro os jogadores e técnicos tentam escapar de qualquer maneira da condição de favorito a um simples jogo, ou a um campeonato. Parece que é um grande pecado assumir a condição de ser o melhor. Falar em superioridade em determinadas situações passa uma posição de arrogância, que serve para motivar o adversário. Ao não assumir a condição de favorito, o time melhor diminui o seu valor. Iguala, pelo menos no lado psicológico, a relação de forças.



Com esse comportamento estranho do meio do futebol se dá uma força descomunal aos fracos e se enfraquece os grandes.



Eu sei que muitos vão se lembrar de jogos de times que eram superiores e favoritos que acabaram perdendo partidas históricas. Outros vão se lembrar de declarações ou atos que acabaram inflamando o time mais fraco e o levando a um triunfo histórico.



Lembramos esses fatos porque eles são exceção, e não regra. Recordamos a final da Copa de 1950, lembramos da imitação de porco que Viola fez na primeira final do Campeonato Paulista de 1993, entre Corinthians e Palmeiras, mas esquecemos que na maioria das vezes o melhor time quase sempre vence.



Talvez ao evitar falar de favoritismo, técnicos e jogadores tentam fugir da responsabilidade. Se eles evitarem declarar o maior potencial do seu clube, terão mais facilidades para explicar como um time de investimento milionário, com jogadores que sozinhos ganham mais que todo elenco do adversário, acaba surpreendido.



Também evita-se falar em superioridade, principalmente nos dias de hoje, porque não temos times que realmente sejam esquadrões. Temos bons times, é verdade, mas nenhum que esteja muito próximo de fazer tremer os adversários. Todos os nossos melhores clubes do momento têm deficiências bem marcantes.



Como o torcedor tem a incrível vocação de sempre torcer para o time mais fraco, treinadores e jogadores não declaram sua superioridade para ganharem alguns torcedores, ou pelo menos não aumentar a legião de simpatizantes do oponente.



Escrevo sobre o assunto após assistir aos dois jogos das semifinais do Campeonato Paulista. Nem Santos e muito menos o São Paulo fizeram valer a sua superioridade sobre Bragantino e São Caetano, respectivamente. Tanto Vanderlei Luxemburgo quanto Muricy Ramalho não conseguiram armar suas equipes para vencer times esforçados, mas muito mais fracos que os seus.



No jogo do Santos, Luxemburgo mexeu mal na equipe e não conseguiu que o time fizesse jogadas pelas laterais do campo, o que seria fundamental para suplantar o forte sistema defensivo do Bragantino. Também faltou ao treinador uma estratégia para fazer o craque do time, o meia Zé Roberto, encontrar espaço para jogar e escapar da marcação. Talvez o correto seria recuar um pouco o meia para ele ter espaço.



O São Paulo até que fez um primeiro tempo bem aceitável. Mas o segundo tempo do time foi ruim. Tudo bem que a equipe criou muitas oportunidades de gols, mas, como o Muricy Ramalho disse, foi muito afoita e deu muitas chances ao adversário de contra-ataques. O técnico foi correto em perceber o problema, mas estranhamente nada fez para mudar o ritmo do jogo. Talvez uma solução estivesse no banco. O meia Jorge Wagner seria uma boa opção para que o time ficasse mais tempo com a bola do pé.



No futebol é preciso respeitar os adversários e ter seriedade, mas é fundamental que o seu adversário não esqueça que o seu time é melhor.



Até a próxima.



 


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