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GOLEIRO NA LINHA, BOM OU RUIM PARA O FUTSAL?

Treinador da Asme/Unoesc - SC / Ex. Aux. Técnico da Seleção Brasileira de Futsal
Publicado em 01 de dezembro de 2008

Acabamos de viver no futsal um momento histórico, com a conquista do Mundial, realizado no Brasil. Ficou comprovado mais uma vez o crescimento do futsal no mundo e a força de grandes seleções, cada vez mais competitivas. A nossa seleção talvez tenha sido a mais tática de todos os tempos, isso mostra que o nível técnico de nossos jogadores já não faz tanta diferença como por muito tempo foi visto pelas quadras do mundo afora. Agora vivenciamos o final de uma geração de ótimos jogadores se despedirem da seleção e um novo projeto de equipe ser construída, renovação é a palavra da vez, e um novo ciclo se inicia.

A pergunta que me faço é se nós estamos formando uma nova geração de grandes jogadores, ou estamos trocando a necessidade de resultados e a transferência de um plano de jogo melhor elaborado, por facilidades que a regra permite.

Jogar com o goleiro no ataque, virou uma realidade perigosa para o futsal de um país que tem em seus jogadores talento o suficiente para poder realizar um ataque eficiente. Vivemos desde as categorias de base até o profissional uma prática perigosa para quem retomou a hegemonia do esporte e pretende mantê-la, este ano acompanhei alguns jogos das categorias de base aqui em Santa Catarina e fiquei muito preocupado com o que vi, o goleiro faz tudo nas equipes, ele defende, afinal está ali para isso, apesar de que hoje em dia quando se fala em goleiro a pergunta é: ele joga com os pés? É passador e finalizador, tem que fazer gols também, mas essa prática não é usada em final de jogo, ou para sair de uma situação difícil, está virando ou já virou padrão de jogo. A conseqüência disso é que temos cada vez mais jogadores que só jogam de lado na quadra, que não enfrentam o adversário e apenas voltam à bola para o goleiro resolver uma situação de ataque, diante dessa minha preocupação resolvi fazer uma pesquisa para saber em nível de conquista de campeonato o quanto esse tipo de jogo é eficiente e quantos goleiros foram decisivos, não falo em situação de goleiro linha, mas sim em jogar a maior parte do tempo escorado no jogo com os pés dos goleiros, tomei por base a Liga Nacional, maior competição de futsal do país, e vamos aos dados.



AnoCampeãoGoleiroArtilheiroGolsCraquedaLiga

1996Inter/Ulbra SerginhoOrtiz25M.Tobias

1997Atlético/PaxDigoV.CariocaLenísio36

1998Ulbra Caio Índio 25 Fininho

1999Atlético/PaxRogérioM.Tobias52M.Tobias

2000Vasco da GamaLeandroLenísio50Lenísio

2001C.BarbosaLavoisierLenísio25 Lenísio

2000UlbraFacó Lenísio 31 Lenísio

2003UlbraRogérioPablo 25 Pablo

2004C.BarbosaLavoisierPablo27 Pablo

2005MalweeBagé Falcão 25 Falcão

2006Carlos BarbosaDaniloMarinho25Falcão

2007MalweeTiago Wilhian 31 Falcão

2008MalweeTiagoFalcão32 Ainda não foi eleito



Dos goleiros campeões da Liga Nacional, o Serginho, Digo, Lavoisier e Bagé nunca se destacaram por ter grande qualidade com os pés, mas sim por serem muito bons dentro da área de meta. Os goleiros: Caio, Rogério, Leandro, Facó, Danilo e Tiago também possuem essa qualidade de jogar bem com os pés, alguns mais passadores outros finalizadores, mas as suas equipes nessas conquistas não tinham um jogo escorado nessa situação do goleiro ser o quinto homem de ataque. Carlos Barbosa e Malwee com Danilo e Tiago respectivamente utilizavam essa prática um pouco mais durante o jogo. O goleiro que mais fez gols em uma mesma edição da liga nacional foi o Ângelo da UCS de Caxias de Sul no ano de 2005 com dez gols marcados. O último mundial também nos trás um bom campo de observação: as seleções jogando sem utilizar esse artifício no desenvolvimento do seu jogo, Brasil e Itália, por exemplo, tinham como goleiros Tiago e Alexandre, respectivamente, ótimos com os pés, mas apenas cumpriram as suas funções de defender as suas metas. A bi-campeã Espanha disputou três finais consecutivas com Luis Amado no gol, grande goleiro, mas sem qualidade com os pés.

Precisamos estar atentos para não formamos jogadores que transferem a responsabilidade e não resolvam o problema de frente, o que pode parecer uma solução de momento pode nos trazer um grande problema no futuro. Uma sugestão seria: nós aqui no Brasil adaptarmos as regras nas nossas categorias de base para poder desenvolvermos nos futuros craques, situações de jogo onde ele tenha que tomar a iniciativa e procurar dentro de uma organização de jogo soluções para conquistar os resultados para a sua equipe.



E-mail: flaviofutsal@hotmail.com



Fonte: www.ligafutsal.com.br, www.wikipedia.org, www.falcao12.com, www.goleirotiago.com.br, www.acbf.com.br, www.ulbra.br/esporte, www.fininhofutsal.com.br

 


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